O Conselho Tutelar
resgatou nessa quarta-feira (26) uma menina de 12 anos que está grávida
há pelo menos sete meses e que vivia como "esposa" de um homem de 25
anos, em Teresina. Segundo o Conselho Tutelar, ela era ainda vítima de
violência doméstica. A menina foi retirada do local onde vivia com o
homem e encaminhada para a casa de um familiar.
O flagrante aconteceu no início da noite e, segundo o conselheiro
Jonathan Rocha, a menina morava com o homem, desde que a gravidez foi
descoberta, em um quarto próximo da casa da avó.
A menina e a avó foram encaminhadas para a Central de Flagrantes de
Teresina. De lá, a menina foi levada para o Serviço de Atendimento à
Mulher Vítima de Violência Sexual (Samvvis), para passar por exames
periciais, e em seguida, levada para a casa de um familiar.
O caso deve ser investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao
Adolescente (DPCA). O homem pode responder pelo crime de estupro de
vulnerável. Por mais que a menina tenha consentido com a relação, como
ela tem apenas 12 anos, não deixa de ser um estupro de vulnerável,
explicou o conselheiro Jonathan.
O Conselho Tutelar vai ainda encaminhar o caso para o Ministério Público.
Rede de saúde não comunicou, diz Conselho Tutelar
Ainda segundo o conselheiro Jonathan, a gravidez da menina foi bem
acompanhada pela rede de saúde pública de Teresina. O que revela que o
Conselho Tutelar poderia ter sido alertado sobre a situação da menina
meses antes.
Segundo o Conselho, a menina descobriu a gravidez por um teste de
farmácia, e procurou uma Unidade Básica de Saúde próximo de casa para
confirmar a gestação. A gravidez foi confirmada e a menina teria sido
encaminhada para a Maternidade Dona Evangelina Rosa.
Os conselheiros agora pretendem investigar com a rede de saúde para
descobrir porque não foram informados sobre a situação da menina.
Ela descobriu a gravidez bem cedo. Se fôssemos avisados, teria dado
tempo para comunicar a Justiça e talvez interromper a gravidez. Mas
agora a gravidez está avançada, e é um risco tanto para a menina como
para o bebê, disse o conselheiro.
Ainda segundo o conselheiro Ivan Castro, os órgãos de saúde podem ter sido omissos ao deixar de informar ao Conselho Tutelar.
A adolescente chegou a fazer o pré-natal, e outros órgãos esqueceram e
feriram a lei, porque era dever comunicar ao Conselho Tutelar sobre essa
situação. Na verdade, a palavra é omisso, tanto a UBS como a
maternidade, disse.
A Maternidade Dona Evangelina Rosa, por meio de sua assessoria, informou
que não faz denúncia e que a obrigatoriedade de denunciar é do
Conselho Tutelar. Sem detalhes sobre a vítima, a maternidade informou
apenas que em casos do tipo a vítima é medicada e um laudo é emitido, a
respeito do estupro, confirmado ou não o abuso. A maternidade não
explicou, contudo, porque o Conselho Tutelar não foi acionado para atuar
no caso.
A Fundação Municipal de Saúde, responsável pela UBS onde a menina foi
atendida, foi procurada pelo G1 e ainda não se pronunciou sobre o caso.
Fonte: G1 PI
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