Motocicletas e falta de fiscalização estão entre os desafios para reduzir mortes no trânsito no Ceará

Os acidentes de trânsito são a segunda maior causa de mortes no Ceará, atrás apenas dos homicídios. Dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) apontam que, em 2025, foram registrados 16 óbitos por acidentes de trânsito a cada 100 mil habitantes, enquanto a taxa de homicídios chegou a 36 mortes por 100 mil habitantes.

O cenário é mais grave no Interior do Estado. As regiões Norte e Leste apresentam as maiores taxas de mortalidade por acidentes de trânsito, com 32,1 e 30,8 mortes a cada 100 mil habitantes, respectivamente. O aumento do uso de motocicletas para deslocamentos cotidianos é apontado como um dos fatores relacionados à maior letalidade.

Segundo o professor do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ademar Gondim, parte das ocorrências está relacionada à circulação de motociclistas sem habilitação e sem equipamentos de proteção. “As pessoas substituíram o cavalo pela moto. A moto tem uma velocidade muito maior”, afirmou.

Outro desafio está na fiscalização. Dos 184 municípios cearenses, 92 ainda não possuem Departamento Municipal de Trânsito (Demutran), segundo o diretor de Educação do Detran-CE, Jorge Trindade. “Infelizmente 92 municípios estão precisando se sensibilizar para a criação desse órgão”, declarou, destacando que a ausência desses departamentos dificulta a fiscalização cotidiana e a integração ao Sistema Nacional de Trânsito.