Brasil tem 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não concluíram a educação básica e estão fora da escola

Levantamento aponta que 37,3% da população com 15 anos ou mais não terminou o ensino fundamental ou médio. Educação de Jovens e Adultos atende apenas 1,5% desse público.

O Brasil tem 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não concluíram a educação básica e estão fora da escola. O número representa 37,3% da população nessa faixa etária e evidencia o desafio de garantir o acesso à educação para milhões de brasileiros.

Os dados são de um levantamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva, divulgado pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (27).

De acordo com o estudo, 44,7 milhões de pessoas não concluíram o ensino fundamental, enquanto outras 19,3 milhões interromperam os estudos antes de terminar o ensino médio.

O cenário revela que uma parcela significativa da população brasileira ainda não teve acesso à conclusão da educação básica, etapa considerada fundamental para ampliar oportunidades de emprego, renda e desenvolvimento social.

Educação de Jovens e Adultos atende apenas 1,5% desse público

O levantamento também aponta que a Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade destinada a pessoas que não concluíram os estudos na idade considerada regular, atende apenas 1,5% do público potencial.

O dado chama atenção para a dificuldade de reinserção de jovens e adultos no sistema educacional.

A EJA representa uma oportunidade para quem precisou abandonar a escola por diferentes motivos, como a necessidade de trabalhar, dificuldades financeiras, responsabilidades familiares ou falta de acesso à educação.

Apesar disso, o número de pessoas atendidas pela modalidade ainda é pequeno diante da quantidade de brasileiros que não concluíram a educação básica.

Pessoas pretas e pardas são maioria entre os que não concluíram os estudos

O estudo também evidencia desigualdades raciais e econômicas relacionadas à escolaridade.

Pessoas pretas e pardas representam 63,9% do grupo de brasileiros com 15 anos ou mais que não concluíram a educação básica e estão fora da escola.

Os dados reforçam a existência de desigualdades históricas no acesso à educação, que atingem de maneira mais significativa determinados grupos da população.

A baixa escolaridade também aparece associada a diferenças na renda familiar.

Escolaridade está relacionada à renda

Outro dado destacado pelo levantamento é a diferença de renda entre pessoas que concluíram a educação básica e aquelas que não chegaram ao fim dessa etapa.

Segundo o estudo, a renda domiciliar mensal por pessoa entre quem não concluiu a educação básica é de R$ 1.427.

Já entre aqueles que concluíram essa etapa de ensino, o valor chega a R$ 2.777 por pessoa.

Comparativo de renda mensal por pessoa

Renda domiciliar per capita

Não concluiu a educação básica

R$ 1.427

Concluiu a educação básica

R$ 2.777

A diferença é de R$ 1.350 por pessoa ao mês. Os valores apresentados são os informados pelo levantamento.

A diferença de R$ 1.350 mensais por pessoa evidencia como a escolaridade está relacionada às condições econômicas da população.

O levantamento reforça a importância de políticas públicas voltadas à ampliação do acesso à educação, à permanência dos estudantes nas escolas e à oferta de oportunidades para quem precisou interromper os estudos.

A ampliação da Educação de Jovens e Adultos é apontada como um caminho para reduzir o número de brasileiros sem a conclusão da educação básica e contribuir para diminuir as desigualdades sociais e econômicas no país.

Fonte: levantamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva, divulgado pela Folha de S.Paulo.