Ex-assessor de Trump critica decisão de Zanin sobre horário de votação no Brasil: “Não dá para acreditar”
O ex-estrategista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Jason Miller, criticou neste domingo (25/10) a decisão atribuída ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o horário de votação do segundo turno das eleições brasileiras. Em publicações nas redes sociais, Miller classificou o episódio como “inacreditável” e questionou a relação anterior entre o magistrado e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A manifestação ocorreu após a divulgação de informações sobre um pedido apresentado pela campanha de Lula para ampliar o horário de votação. Ao compartilhar uma publicação sobre o assunto, Miller escreveu: “Não dá para acreditar”.
Em outra postagem, o ex-assessor de Trump destacou que Zanin havia atuado como advogado de Lula antes de chegar ao Supremo Tribunal Federal. Miller questionou a situação e afirmou que o antigo advogado do presidente estaria agora em posição de decidir sobre uma questão relacionada ao processo eleitoral.
As declarações repercutiram em meio à disputa presidencial brasileira e ao debate sobre a atuação das instituições durante as eleições.
Quem é Cristiano Zanin?
Cristiano Zanin ganhou notoriedade nacional por integrar a equipe de advogados responsável pela defesa de Lula nos processos relacionados à Operação Lava Jato. Ele atuou na defesa do petista a partir de 2013 e participou das ações judiciais que resultaram na anulação de condenações do então ex-presidente pelo STF.
Em 2023, Lula indicou Zanin para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal, após a aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski. A indicação foi aprovada pelo Senado Federal por 58 votos favoráveis e 18 contrários, e Zanin tomou posse naquele ano.
A trajetória do ministro, que passou da advocacia de Lula para uma cadeira na mais alta Corte do país, voltou ao centro das discussões após as críticas de Miller.
Trump acompanha eleição brasileira
A crítica de Miller ocorre em um momento de atenção do governo norte-americano à eleição brasileira. Mais cedo, Donald Trump afirmou que acompanha o processo eleitoral, mas evitou declarar apoio público a Lula ou ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
“Não quero entrar nesse assunto, mas estamos monitorando”, declarou Trump, segundo as informações divulgadas.
Antes do primeiro turno, o presidente norte-americano já havia classificado a eleição brasileira como importante e elogiado o desempenho de Flávio Bolsonaro na primeira etapa da disputa.
O que aconteceu com o horário de votação?
A decisão de Zanin determinou inicialmente a ampliação do horário de votação até as 19h, após pedidos relacionados a dificuldades no transporte de eleitores. Posteriormente, o ministro esclareceu que a medida deveria ser aplicada somente às seções eleitorais cujas urnas ainda não tivessem sido fechadas. Nas seções já encerradas, os votos deveriam ser computados normalmente.
O episódio provocou questionamentos sobre a aplicação da decisão e gerou repercussão política dentro e fora do Brasil.
A crítica de Jason Miller acrescentou uma dimensão internacional à controvérsia, especialmente por envolver a relação profissional anterior entre Zanin e Lula. Até o momento, as declarações do ex-assessor de Trump representam sua avaliação política sobre o caso, e não uma comprovação de irregularidade eleitoral.


