Fuzis, metralhadoras e a 'sede bélica' do CV: de onde vêm as armas que municiam facção no Ceará?

Delegado-geral da PCCE concedeu entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste sobre a 'rota das armas de fogo'.

Entre pistolas, fuzis e até mesmo metralhadoras, em menos de um ano e meio, o Ceará contabilizou quase 10 mil armas de fogo apreendidas no Ceará. A reportagem do Diário do Nordeste apurou que a maior parte delas chegou ao Estado a pedido e com intermédio da facção carioca Comando Vermelho (CV).

Nas últimas semanas, o secretário da Segurança Pública Estadual, Roberto Sá, falou à imprensa sobre a 'rota do tráfico de armas' e que "o crime não respeita fronteiras com outros países e isso significa que as divisas dos estados se tornam, inclusive, necessárias de maior atenção", disse em coletiva de imprensa sobre as prisões de dois cearenses membros do PCC, que estavam na Bolívia e são investigados por traficar armas ao Estado, principalmente na região Norte. 

Trazidas de países que fazem fronteira com o Brasil, como Bolívia e Paraguai, quando dentro do País, as armas são transportadas por diversos meios, incluindo embarcações vindas do Pará. 

Em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará (PCCE), Márcio Gutierrez, afirma que "não existe uma rota única. O criminoso busca o que está mais fácil naquele momento. Temos identificado trânsito de armas vindo do Norte do País, muitas vezes em ônibus, em transportes clandestinos, rotas alternativas além das estradas para burlar a fiscalização da PRF e da PRE".
"A gente precisa entender e deixar claro que essas armas vêm de fora do País. O Brasil tem aproximadamente 17 mil quilômetros de fronteiras, e o papel de fiscalizar e de proteger essas fronteiras não é das polícias estaduais, mas acabamos absorvendo o enfrentamento da entrada e circulação desse material. Enquanto a Polícia fortalece as estruturas, os criminosos buscam novas rotas, novas alternativas para entrada de drogas, armas de fogo e quaisquer outros ilícitos", disse Márcio Gutierrez.