Justiça leva a júri homem acusado de matar namorada universitária em Fortaleza
A Justiça do Ceará decidiu levar Bruno Ribeiro da Silva a julgamento pelo Tribunal do Júri, acusado de matar a namorada, a universitária Luciana Cordeiro do Nascimento, de 27 anos. O crime ocorreu em fevereiro de 2026, no bairro Jacarecanga, em Fortaleza, e teria sido cometido durante uma discussão motivada por ciúmes.
A decisão de pronúncia foi proferida pelo juiz da 5ª Vara do Júri da capital. Essa etapa do processo significa que a Justiça identificou elementos suficientes, em tese, para que a acusação seja analisada pelos jurados. A pronúncia, porém, não representa uma condenação.
Motorista de aplicativo encontrou sinais de sangue
Conforme as informações da investigação, Luciana foi atacada com golpes de tesoura e pauladas dentro da residência onde estava. Pouco antes do crime, ela havia solicitado uma corrida por aplicativo para ir a uma festa de aniversário.
Ao chegar ao endereço, o motorista tentou entrar em contato com a passageira, mas percebeu sangue escorrendo por baixo do portão do imóvel. Diante da situação, ele procurou ajuda policial.
O caso passou a ser investigado como feminicídio, diante dos indícios de que a morte teria ocorrido em um contexto de violência contra a mulher.
Acusado admitiu discussão e agressão
Na decisão que determinou a pronúncia, o magistrado destacou declarações prestadas pelo próprio acusado durante o processo.
Segundo o relato citado pelo juiz, Bruno admitiu que discutiu com Luciana por ciúmes, que a puxou para dentro da residência e impediu que ela saísse. Ele também teria reconhecido ter desferido pelo menos um golpe de tesoura, fechado o portão pelo lado de fora, trancado o cadeado e deixado o local levando o celular da vítima.
Ainda conforme a decisão, o acusado negou ter provocado as demais lesões e sustentou que Luciana continuava viva quando ele deixou o imóvel.
Para o magistrado, os elementos reunidos durante a instrução processual justificam que o caso seja submetido à apreciação do Tribunal do Júri.
Defesa recorreu da decisão
A defesa de Bruno Ribeiro da Silva apresentou recurso para tentar reverter a pronúncia. Entre os pedidos, estão a impronúncia do acusado — medida que impediria seu julgamento pelo júri nessa fase — e a retirada da acusação conexa de fraude processual.
O Ministério Público do Ceará (MPCE) apresentou contrarrazões, manifestando-se contra o acolhimento do recurso. O caso foi encaminhado ao segundo grau de jurisdição para análise.
Com isso, a discussão sobre a manutenção da decisão seguirá na Justiça. A eventual condenação ou absolvição caberá ao Tribunal do Júri, caso a pronúncia seja mantida e o julgamento seja realizado.


