Larvas e cabelos em marmitas de hospital motivam abertura de processo contra empresa de alimentação em Juazeiro do Norte
Alvo do processo, a empresa CWM Indústria Alimentícia é responsável pelo fornecimento de refeições transportadas para unidades de saúde do município, incluindo o hospital infantil Maria Amélia
A presença de larvas, cabelos e até moscas em refeições servidas em unidades públicas de saúde de Juazeiro do Norte motivou a instauração de um processo administrativo contra uma empresa fornecedora de alimentação. A medida foi oficializada por meio da portaria publicada pela Controladoria e Planejamento Geral (Coplag), no último dia 29.
De acordo com o documento ao qual o M1/Miséria teve acesso, a investigação apura possíveis irregularidades no cumprimento do contrato firmado com a empresa CWM Indústria Alimentícia, responsável pelo fornecimento de refeições transportadas para unidades de saúde do município, incluindo o hospital infantil Maria Amélia Bezerra.
Um relatório técnico elaborado pela nutricionista clínica Andréa Gomes Fontes Roriz aponta uma série de problemas relatados por mães de pacientes, como refeições de “péssima qualidade”, alimentos com aparência de crus ou requentados, além da ausência de temperos naturais.
O ponto mais alarmante, porém, é a constatação de infestação por larvas de moscas (miíase) em alimentos servidos, situação classificada como de “extrema gravidade”. Além disso, também foram relatados casos de corpos estranhos nas refeições, como cabelos e insetos.
“Foi detectada ocorrência de extrema gravidade consistente na presença de miíase, fato que evidencia falha grave e inaceitável na execução contratual, com risco à saúde dos usuários do serviço público”, diz a portaria assinada pelo controlador-geral José Maria Pontes.
Prazo de seis meses
Caso sejam confirmadas as irregularidades, a empresa poderá sofrer sanções que vão desde advertência e multa até o impedimento de contratar com o poder público e declaração de inidoneidade. A comissão responsável terá prazo de até 180 dias úteis, prorrogáveis por igual período, para concluir a investigação.
Antes da abertura do processo, a empresa já havia sido alvo de notificações extrajudiciais emitidas tanto pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) quanto pelo Instituto Humaniza (Hima), ainda em maio do ano passado, solicitando a correção das irregularidades. Contudo, segundo a gestão municipal, isso não teria sido devidamente atendido.
O M1 não conseguiu localizar a empresa CWM Indústria Alimentícia para comentar o caso. O espaço permanece aberto para manifestação.



