MPE pede cassação dos deputados Yury do Paredão e Davi de Raimundão por suposto abuso de poder eleitoral
Ação questiona uso de carreta de atendimentos pelo SUS durante período eleitoral em Juazeiro do Norte. Ministério Público também pede inelegibilidade dos parlamentares por oito anos.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) solicitou à Justiça Eleitoral a cassação dos diplomas dos deputados Yury do Paredão (MDB), federal, e Davi de Raimundão (MDB), estadual, ambos reeleitos nas últimas eleições. O órgão também pede a anulação dos votos recebidos pelos parlamentares e a declaração de inelegibilidade por oito anos.
A representação aponta possíveis irregularidades relacionadas à utilização da carreta itinerante “Conectados pela Cura”, que oferece consultas e exames por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a denúncia, a estrutura teria sido utilizada para atrair eleitores em Juazeiro do Norte, no Cariri cearense, durante o período eleitoral.
De acordo com o Ministério Público, dos 48 dias de funcionamento da carreta, 42 ocorreram em Juazeiro do Norte. Desse total, 29 dias coincidiram com o período de campanha eleitoral. A investigação também aponta que o projeto recebeu pelo menos R$ 1,25 milhão em recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas por Yury do Paredão.
O MPE questiona se a concentração dos atendimentos no município e a realização dos serviços durante a campanha eleitoral teriam sido utilizadas para obter vantagens políticas e eleitorais.
Pedido pode alterar composição política
Além da cassação dos diplomas dos dois parlamentares, o Ministério Público Eleitoral solicita que outros três investigados também sejam declarados inelegíveis pelo período de oito anos.
Caso a Justiça Eleitoral acolha os pedidos, os votos atribuídos aos deputados poderão ser anulados, provocando um novo cálculo dos resultados eleitorais e possíveis mudanças na distribuição das vagas na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa do Ceará.
Yury do Paredão afirmou que apoia as ações sociais realizadas pelo Instituto Dra. Yanny Brena, mas não apresentou manifestação específica sobre as acusações. Já Davi de Raimundão declarou que ainda não havia sido notificado oficialmente e que confia na lisura e na isenção de sua campanha.
O processo ainda será analisado pela Justiça Eleitoral. Até o momento, não existe decisão condenatória contra os parlamentares, que têm direito à ampla defesa e ao contraditório.


