Réu confessa feminicídio de Clarissa em júri e diz que 'perdeu controle' após ser pressionado a trabalhar
O gestor Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, réu pela morte da enfermeira Clarissa Costa Gomes, confessou o feminicídio da namorada durante interrogatório no segundo dia do júri.
Matheus deu detalhes de como o crime aconteceu e disse que "perdeu o controle" durante uma discussão do casal, depois de a vítima ter pressionado para voltar a trabalhar.
O Diário do Nordeste acompanha a sessão que acontece no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. Para a tarde desta terça-feira (14) são aguardados os debates entre defesa e acusação.
MORTA COM 34 FACADAS
Ele disse que Clarissa vinha demonstrando insatisfação com ele e o chamou para conversar na casa dela depois que o casal saiu da academia.
"Ela sentou comigo e disse que queria conversar sério comigo... No que ela falou a gente começou a procurar emprego no LinkedIn. Aí então a gente começou a conversar sobre outros empregos, comecei a enviar currículo", disse ele sentado no banco dos réus.
"Quando terminei de mandar currículo a gente começou a discutir”, segundo Matheus, dizendo se tratar de "uma discussão verbal... e aconteceu".
O acusado confessou que pegou uma faca que estava na geladeira.
"De tanto ela falar, nesse dia, ela falou, só que ela se retraiu, não queria conversar, ela se calou. Eu fiquei com muita raiva porque ela se calou"
CIÚMES E RELACIONAMENTO ABUSIVO
Matheus confessou que teve problemas com outras ex-namoradas, mas negou ter feito ameaças de morte: "sempre tive relacionamentos ciumentos, possessivos, mas nunca agredi".
O réu diz que o relacionamento do casal "tava abusivo, desgastado, com muitas discussões, desrespeito e ciúmes" (sic)
"Eu tinha um problema de levar muito meus problemas pessoais pra ela, tanto familiares como pessoal meu. E isso desgastava muito a saúde dela física e mental... ela sempre me ajudou como pode", contou.

MÃE VIU FILHA MORTA
No primeiro dia do júri foram ouvidas as testemunhas da acusação, dentre elas Áurea Lúcia Cândido Costa, mãe da enfermeira.
Logo após a fala de Áurea a sessão foi suspensa, porque o réu Matheus Anthony Lima Martins Queiroz passou mal.
A reportagem apurou que Matheus teria sofrido uma convulsão, caído e batido a cabeça, sendo socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao hospital.
Durante o depoimento, a mãe de Clarissa contou detalhes sobre o momento em que soube que a filha havia sido assassinada.
Ela recorda que estava no trabalho quando, por volta das 16h do dia 9 de julho de 2025, recebeu uma ligação de uma parente pedindo que fosse para casa. "Quando cheguei na minha casa, a rua estava cheia de gente. Quando entrei na minha casa, encontrei a minha filha no chão, assim, deitadinha, com a boquinha um pouquinho aberta. Eu disse: 'O que aconteceu com a minha filha? Filha, a mamãe vai cuidar de você', porque, até então, eu achava que eu ia cuidar dela".
"Posso levar minha filha pro hospital? Minha filha tem plano de saúde. O policial dizia: 'A senhora não pode mexer nela'. Ainda peguei nela, ela tava quentinha", narrou Áurea.
A mãe relatou ainda que não sabia dos desentendimentos entre a filha e o namorado: "Vim perceber mais depois de tudo o que passou. Na minha frente ela não demonstrava nada, nem tampouco ele. Ele, na minha frente, tratava ela muito bem".
"Minha filha era uma menina meiga, educada, inteligente, esforçada. Tinha muitas amigas, uma excelente aluna, excelente profissional e, principalmente, excelente filha", acrescentou a mãe da vítima.
Caso Clarissa: relembre o crime
Clarissa Costa Gomes morreu aos 31 anos, vítima de feminicídio, em Fortaleza. Segundo as investigações, ela foi assassinada com 34 golpes de faca pelo namorado, Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, então com 26 anos.
Vizinhos da enfermeira disseram que viram o casal chegar à casa da vítima, no Jardim Cearense, por volta de 13h30.
Um vizinho relatou à Polícia que, às 15h20, ouviu uma voz feminina gritar "me solta, vai me matar". Outra vizinha ouviu ela gritar o nome de Matheus duas vezes. Por último, os moradores ouviram apenas o som de uma batida no chão.
Matheus foi visto saindo da residência em sua motocicleta. O irmão dele chegou algum tempo depois e, junto aos vizinhos, encontrou o corpo de Clarissa sem vida. "Meu Deus, o que meu irmão fez?", exclamou ele, segundo o relato das testemunhas.
Matheus foi preso em flagrante na Maraponga e confessou o crime.


