Fóssil de araucária com 120 milhões de anos é descoberto na Bacia do Araripe e homenageia Menina Benigna

Uma descoberta científica acaba de aproximar dois momentos muito distintos da história do Cariri cearense: o passado geológico de milhões de anos e a memória de uma das figuras religiosas mais conhecidas da região.

Pesquisadores identificaram uma nova espécie de planta fóssil, com aproximadamente 120 milhões de anos, que viveu na área onde atualmente está localizado o Cariri. A espécie foi batizada de Araucaria benignae, em homenagem a Benigna Cardoso da Silva, conhecida como Menina Benigna, jovem nascida em Santana do Cariri e beatificada pela Igreja Católica em 2022.

O fóssil foi encontrado na Bacia do Araripe, uma das regiões paleontológicas mais importantes do Brasil e reconhecida pela riqueza e pelo excepcional estado de preservação de seus fósseis. A descoberta contribui para ampliar o conhecimento sobre a vegetação que existia no Nordeste brasileiro durante o período Cretáceo.

Homenagem à história do Cariri

A escolha do nome Araucaria benignae estabelece uma ligação simbólica entre o patrimônio paleontológico e a história cultural e religiosa do território onde o fóssil foi encontrado.

Benigna Cardoso da Silva nasceu em Santana do Cariri, município que também integra a área da Bacia do Araripe. A jovem tornou-se uma referência religiosa regional e, em 2022, foi oficialmente beatificada pela Igreja Católica.

Ao receber o nome da beata, a nova espécie fóssil passa a carregar, em sua denominação científica, uma referência diretamente relacionada à identidade histórica do Cariri.

Um registro de 120 milhões de anos

A idade estimada do fóssil remonta a aproximadamente 120 milhões de anos, período em que a configuração dos continentes era muito diferente da atual e a região do Nordeste brasileiro apresentava ambientes distintos dos encontrados hoje.

A identificação de uma nova espécie de araucária fóssil ajuda os pesquisadores a compreender a diversidade vegetal existente naquele antigo ecossistema. Fósseis de plantas são importantes para reconstruir características da paisagem, do clima e das comunidades vegetais que ocupavam a região ao longo do tempo geológico.

A descoberta também reforça a relevância científica da Bacia do Araripe, conhecida internacionalmente pela quantidade e diversidade de fósseis encontrados em seus sedimentos.

Ciência e memória regional

Além da importância paleontológica, o batismo da espécie cria uma conexão singular entre a ciência e a memória do povo caririense. A Araucaria benignae passa a representar, ao mesmo tempo, um capítulo da história natural do território e uma homenagem a uma personagem marcante da tradição religiosa local.

A descoberta evidencia ainda como a Bacia do Araripe preserva registros de diferentes períodos da história da região — desde organismos que viveram há milhões de anos até elementos que hoje fazem parte da identidade cultural dos municípios do Cariri.

Assim, 120 milhões de anos depois de existir, a antiga araucária volta a ocupar um espaço na história da região, agora não mais como parte da paisagem pré-histórica, mas como objeto de estudo científico e homenagem à memória da Menina Benigna.